Morreu na última terça-feira (27), às 21h, o escritor, desenhista, tradutor, jornalista, roteirista de cinema e dramaturgo Millôr Fernandes. O motivo do óbito foi falência múltipla dos órgãos.

Millôr foi um raro exemplo de sucesso, de público e crítica, em TODAS as áreas que se atreveu a trabalhar. Como jornalista começou aos 15 anos de idade, em 1938,  atuando como  contínuo e repaginador de “O Cruzeiro”, então uma pequena revista da época. No teatro foi um tradutor prolífico e importante, trazendo ao Brasil importantes espetáculos como “Rei Lear”, de William Shakespeare e o musical “Chorus Line“, de James Kirkwood e Nicholas Dante.

Como roteirista, escreveu mais de uma dezena de textos, dentre eles o longa “Terra estrangeira”, e “Memórias de um sargento de milícias”, adaptação da obra de José Manuel de Macedo. Suas charges cheias de humor político e filosófico são referência para chargistas de todo Brasil.

Além de tudo que Millôr representou para a comunicação e jornalismo brasileiros, nosso herói soltava lá suas pérolas sobre bebidas, do tipo:

“Bêbado e pêndulo são dois pronomes oblíquos.”

“Existe coisa mais sóbria que uma garrafa de uísque lacrada?”

Uma pequena homenagem da equipe Etílicos.com dentre outras inúmeras que foram prestadas (merecidamente) à figura do genial Millôr Fernandes. Vá em paz, mestre.

Millôr contra a cachaça

Anti-alcoolataria

Na sala cheia – era uma sala pequena- o cavalheiro sisudo e idoso subiu os degraus do estúdio, colocando-se à frente das cadeiras onde se sentavam as pessoas e transformou-as em ouvintes começando a falar. Disse do álcool que o álcool é mau. Asseverou que conhecia várias pessoas embreagadas que eram maus pais de família e falou das mesmas famílias como exemplo de dissolução em virtude do ítem especificado no parágrafo anterior – o álcool. Incentivou os fabricantes de bebidas como uma pecha social, apostrofou os comerciantes de vinho, citou Baco de passagem, avançou pelo terreno das idéias correlatas e falou nos ritos orgíacos greco-romanos que exterminaram duas civilizações.

Isso, aqui narrando em três minutos e vinte e cinco décimos, ele estendeu a uma hora e meia de fala. Depois veio o exemplo prático. pegou um copo, encheu-o d’água, abriu uma latinha, apanhou um verme, pôs dentro do copo e mostrou a todos que o verme nadava. logo, meteu o verme dentro d’outro copo, encheu-o de aguardente e ficou a segurá-lo no alto, exibindo para todos a prova esmagadora de que o verme morreria em dois minutos. E foi então que um bêbado presente voltou-se para outro e declarou, encantado com a demonstração: “Está vendo você? Se a gente beber bastante, não precisa ter medo de vermes”.

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