Morrer não é lá tão ruim assim. A prova disso vem aqui da minha querida terra, o Espírito Santo, mais precisamente na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, terra natal do rei Roberto Carlos – e que agora passa a ser conhecida como a terra do “Seu Gleisson”, o defunto mais Bon vivant da história.

Boêmio conhecido na cidade, Gleisson Silva sofreu um AVC na terça-feira de carnaval (coincidência!?) enquanto viajava por Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Internado em um hospital da cidade, Seu Gleisson sofreu três paradas cardíacas e não resistiu, vindo a falecer na manhã de sexta-feira (12). Contudo, a história de Gleisson não acabou com sua morte…muito pelo contrário.

Seu Gleisson...o homem, a lenda!

Seu Gleisson…o homem, a lenda!

Fã de baralho, cervejeiro convicto, Flamenguista fanático e Portelense de coração, nosso herói tinha 68 anos de idade quando faleceu. Era casado, pai de quatro filhos e dono de um bar na cidade há mais de 30 anos. Detestava o clima fúnebre dos velórios aos quais frequentava pois achava que aquilo ali não condizia com a filosofia que escolheu pra sua vida. “Meu pai, quando ia ao velório de algum amigo, voltava triste e cabisbaixo. E ele sempre dizia: ‘no meu velório não quero tristeza, quero samba, quero ser velado dentro do bar'”, conta Glaucio Fragosos da Silva, 42 anos, filho e atual dono do bar.

A família de Seu Gleisson atendeu o pedido do patriarca. Seu corpo chegou ao bar às 11 horas do mesmo dia para ser velado. Amigos e familiares de Vitória, do Rio de Janeiro e de Cachoeiro começaram a aparecer, numerosos. “Acho que ao todo, entre idas e vindas, umas três mil pessoas passaram para ver meu pai. É muito bom saber que seu pai quando morre é bem quisto”, conta Glaucio.

Com o grande número de visitantes chegando para prestar as últimas homenagens ao Seu Gleisson, a rua na frente do bar foi rapidamente tomada de pessoas e carros. A comoção foi tão grande que a Guarda Municipal teve que intervir para impedir que o trânsito fosse totalmente bloqueado.

Só a galera que bebe pouco no velório...

Só a galera que bebe pouco no velório…

O velório

O sol foi baixando e os amigos do samba foram chegando, cada um trazendo seu instrumento. Em uma roda de samba improvisada, eles tocaram os clássicos do samba que tanto agradavam ao falecido. “Quando o negócio animava demais alguém gritava ‘fala baixo que vai acordar o veio'”, lembra Glaucio.

O batuque seguiu noite adentro e só parou de manhã, quando era a hora de levar o corpo para sepultamento. Gleisson Silva foi enterrado no cemitério municipal por volta das 8 horas da manhã de sábado (13).

Os números finais da justa homenagem são de fazer inveja a qualquer festinha gourmet da atual “geração 7 a 1”: 11 caixas de litrão de cerveja, 20 caixas de latão e 15 litros de cachaça. Tudo de graça, para chorar a morte de quem não queria ir…mas foi. “Foi muito bom ver todo mundo, receber as pessoas que meu pai tanto gostava. Era uma pena que ele não pode aproveitar com a gente”, conclui o filho.

>Noel Rosa – o ícone real da boemia brasileira – já dizia: “Quando eu morrer/ Não quero flores/ Nem coroa com espinho / Só quero choro de flauta / Violão e cavaquinho”…

Nem todo herói usa capa…descanse em paz, “Seu Gleisson”.

Fonte: Gazetaonline.

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