Editor's Rating

8
Aparência
8
Aroma
8
Sabor
9
Sensação
7
Colarinho

Fala galera etílica brasileira! Depois de um longo tempo de ausência de reviews técnicos e exatas 12 modificações no escopo deste review, eis que finalizo.

Pois bem, desde 1700 uma mistura de 3 estilos que vinha sendo frequentemente produzidos na antiga Inglaterra: Old Ale, Pale Ale e a Mild Ale. Originalmente chamada de Brown Beer, nasce o estilo Porter. Na época de Robin Hood, era muito comum os cervejeiros/taberneiros separarem as porters por sua densidade, densidade mais baixa de um lado e mais alta de outro. As mais fracas eram denominadas de Brown Porters e as mais fortes de Brown Stout e a Stout Porter classificando as medianas em robustez e graduação alcoólica.

Não tendo nada a ver com Harry Potter, o nome deriva dos trabalhadores dos portos bretões. Contando com a ajuda da revolução industrial, as cervejarias travavam uma disputa pra saber de quem era o maior, fermentador, no caso. Se tornando um símbolo de status um fermentador gigantesco. A titulo de curiosidade, o relato de maior fermentador daquela época era de apenas dezessete fucking vezes maior que o maior fermentador atualmente ativo do mundo!

Olha o tamanho da criança

Olha o tamanho da criança

Campanha de marketing da MillersCoors "um milhão de garrafas na estrada"

Campanha de marketing da MillersCoors “um milhão de garrafas de cerveja na estrada”

Imagina isso, só que dezessete vezes maior!

Bom, as brejas estilo Porters e derivados foram perdendo força ao longo da história, até bem recente por sinal (a Guinness (<3) deixou de fabricar porters em 1974, e voltou a fábrica-las ano passado , leia mais nesse post da Lívia Alves ) e agora está voltando aos seus dias de glória, ou pelo menos engatinhando para isso, devido ao ressurgimento da tradição das cervejas artesanais e ao boom cervejeiro.
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Bom, voltando a Way Cream Porter

Vinda da Alemanha brasileira, conhecida também como Rio Grande do Sul, essa Porter elaborada para representar as Baltic Porters (estilo criado quase que exclusivamente para navegações pelo mar Báltico), aveludada, com um toque de aveia da mais alta qualidade, essa breja bate firme de frente com as gringas referência no estilo, por exemplo uma Samuel Adams Dark Depths, que na minha humilde opinião é a maior referência no estilo.

APARÊNCIA
Vinda com uma garrafinha de 310ml toda serigrafada, chamando atenção pelo atípico, indo ao copo um o liquido de coloração preta bem opaca, uma apresentação linda que conta com uma formação de creme fantástica de cor avermelhada, vi alguns cervejeiros chamando o colarinho da Cream Porter de Red Velvet (Vermelho aveludado), realmente lembra. Uma apresentação excepcional, nada menos de se esperar da Way. Só não levou nota máxima neste quesito pois, assim como a Wäls Petroleum (http://etilicos.com/wals-petroleum), teve em seu colarinho uma duração média.

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AROMA
Ao abrir a garrafa, notamos imediatamente aquele aroma de cafeteria chique, surreal de como o aroma de café está presente nesta cerveja. Além do café, caramelo, e toques de chocolates amargos. Existe sim tons amadeirados que lembram algumas cervejas que são maturadas em barris de madeira. Bom, não é o caso da Cream Porter, porém a cervejaria Paranaense possui a Amburana Lager, que é maturada em barris de Amburana cearensis, que infelizmente ainda não tem review técnico aqui no etílicos.com, mas aguardem.

SABOR
Com um equilíbrio entre dulçor e amargor, a Way Cream Porter surpreende muito em retrogosto, poucas vezes eu degustei uma cerveja em que o retrogosto fosse tão parecido com o gosto, quase a sensação de estar dando novos goles, um leve toque floral, quando é sentido o amargor proveniente do lúpulo, e o sabor leve de chocolate amargo (que é mais doce que o lúpulo obviamente) equilibrando em perfeito um com o outro. Existe aveia na composição, porém nas 3 análises (faço 3 analises, cada uma em temperatura diferente, são elas: Temperatura ambiente; temperatura que o fabricante recomenda, caso não tenha no rótulo ou no site, utilizo a temperatura recomendada para o estilo; a ponto brasileiro, perto do congelamento) não obtive o sabor da aveia, entenda o motivo no próximo tópico, vem com o tio.

Creme denso de duração média
SENSAÇÃO
O motivo de não sentirmos o sabor da aveia é simples, durante o processo de brassagem, existe uma etapa da fervura chamada Parada proteica, em que consiste em estabilizar a fervura em uma temperatura pré-determinada durante algum tempo, o que culmina em uma “absorção da proteína” pelo mosto cervejeiro, o que acarreta em uma melhor formação de creme, tons cremosos (daí o nome “cream”) e macios. A aveia é o alicerce de proteína desta breja, sendo por baixo responsável por uns 55% da proteína absorvida final. Chutando por baixo. É uma cerveja para dias frios, não tão carbonatada, por isso não tão refrescante, definitivamente não é uma cerveja para se degustar na praia, e sim em uma noite com Fundue de queijo ao lado de sua companheira(o), segue a dica que vai se dar bem ou não.

Uma cerveja leve, com graduação alcóolica leve de apenas 5.6 G.L. é uma a Way Cream Porter entrega o que promete com certeza, muito bem elaborada e com um drinkability bem alto, perfeito para harmonizar com queijos, chocolates e para alguns mais hardcores até com algumas frutas cristalizadas. Traz um preço muito agradável aos bolsos, sendo em sua versão de 300ml custar uma média entre 5 e 10 dilmas, essa breja nacional é com certeza uma breja a ser degustada e se o dia tiver aquele friozinho gostoso, melhor ainda.

 

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