Curitiba, assim como qualquer grande cidade brasileira, possui diversas opções de lazer para curtir aquele happy-hour com os amigos. E o que não pode faltar nessas confraternizações é a clássica cervejinha gelada, é claro. E é justamente nesse ponto que Curitiba se diferencia em relação as outras.

Na contramão das cervejas industriais, quem vem ganhando cada vez mais espaço no gosto do bebedor curitibano são as chamadas cervejas especiais, comumente chamadas de cervejas artesanais. O mercado para essas cervejas de quatro anos para cá cresceu de maneira surpreendente, e os curitibanos aderiram a idéia. é muito comum andar pelos bares da cidade e ouvir termos como “Ale, Brown, Weiss”. Mais do que cair no gosto do povo, elas estabeleceram um novo hábito e estilo de se beber.

Cerveja artesanal, organização profissional

Não é porque o processo de produção da cerveja é artesanal que ele não precisa ser regularizado e vistoriado. Muito pelo contrário. Em janeiro de 2011 foi fundada a Associação dos Cervejeiros Artesanais do Paraná (ACERVA-PR), que por sinal já conta com 100 integrantes. O cervejeiro e  presidente da associação,  André Junqueira, disse que a mesma visa buscar uma “diferenciação, uma equalização” entre as cervejarias artesanais.

É importante ressaltar também a presença marcante de Curitiba nessa associação. A cidade e região metropolitana abriga sete microcervejarias: Asgard, Bier Hoff, Bodebrown, Gauden Bier, Klein Bier, Way Beer e Wesnky Beer. Todas bem conceituadas e algumas inclusive premiadas nacionalmente.

958831 Curitiba: a terra santa das cervejas artesanais

Beervangelização: histórias de sucesso das cervejas artesanais

“Com um fogão industrial ou fogareiro, três panelas – sendo, pelo menos, duas com torneira – e dois queimadores já é possível fabricar cerveja artesanal”. É o que afirma Junqueira. Aliás, o próprio começou sua fabricação a pouco tempo, mais precisamente em janeiro do ano passado, e a batizou de Junka Beer. Ao perceber como o público tem acolhido a cerveja artesanal, sente ainda maior a necessidade de divulgar esta arte, e pra isso usou um termo bem interessante: a “Beervangelização”, que ele mesmo define como uma maneira de “ensinar a cultura da cerveja de alta qualidade”.

A empresária Suellen Presser começou a produzir cerveja em casa há 5 anos, como um hobby, para consumo próprio e para os amigos que serviam de cobaias. Do consumo próprio passou a 60 pontos de venda no Paraná e em Santa Catarina. De uma cerveja de panela passou a produzir 50 mil litros mensais. Resultado disso tudo: sucesso. Assim como a maioria dos cervejeiros artesanais, sua história começou movida pela paixão à cerveja, o que fez com que ela e seu marido (também cervejeiro) largassem seus respectivos trabalhos para se dedicar única e exclusivamente a sua cervejaria, a Klein Bier. Sua cervejaria produz cinco tipos de cerveja, sendo a Pielsen a mais tradicional, que garante metade da produção, e o restante fica por conta das cervejas especiais. Dentre essas especiais, destaque para a  Brownale, que leva cinco diferentes tipos de malte e um dos lúpulos mais caros do mundo. Para a empresária, a aceitação do público pela cerveja especial está numa crescente visível: “O mercado está com sede de cerveja especial, que está ganhando espaço entre marcas conhecidas, como Heineken e Brahma”.

Quem disse que mulher não entende de cerveja?

Com certeza não foi ninguém da equipe etilicos.com. Segundo a beer somelier Carolina Tedesco Fiorani, as mulheres tem se destacado no consumo das cervejas especiais. Ela que é proprietária da Mercearia Coralina, em Curitiba, vende no seu estabelecimento 40 marcas de cervejas artesanais de todo o Brasil, sendo metade de Curitiba, o que mostra mais uma vez a potência da cidade no mercado de cerveja artesanal. A empresária afirma: “Existe uma ideia errada de que cerveja é para se beber até encher a cara. Não, você pode apreciar, degustar”. Só mesmo uma mulher para descrever com tamanha sensibilidade a arte de se apreciar uma boa cerveja.

Prêmios conquistados

Mas qual o sentido de destacar as cervejas artesanais de Curitiba sem comprovar sua qualidade? então vamos aos fatos, ou melhor, aos prêmios:

  • Prêmio da categoria English India Pale Ale (IPA) no 3º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, realizado em Belo Horizonte. vencedor: cervejeiro Edigyl Pupo, de Imbituva, criador da De Bora Bier.
  • Prêmio da categoria Oktoberfest/Märzen no 5º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, em Porto Alegre. vencedor: cervejeiro André Junqueira, criador da cerveja Junka Beer.
  • Prêmio da categoria melhor Pale Alen do país pela revista masculina Maxim. vencedor: cervejaria Way Beer, de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Glossário cervejeiro: entenda o que você bebe

Algumas definições do mundo da cerveja. afinal de contas, um pouco de informação não faz mal a ninguém, né:

Cervejas artesanais: Aquelas produzidas de forma caseira, independente do uso de equipamentos modernos ou não. São consideras cervejarias artesanais devido ao cuidado com a produção – desde os ingredientes até a receita e o modo de preparo.

Cerveja Ale: Cerveja de alta fermentação ou fermentação quente (geralmente entre 15 e 24ºC). Cerveja mais vigorosa e encorpada, de características variadas, podendo ser doce ou amarga, clara ou escura. Alguns tipos de cerveja da família Ale: Weizenbier, Kölsch, Belgian Pale Ale, Strong Ale, Bière Brut, Weizenbock, Stout.

Cerveja Lager: Cerveja de baixa fermentação ou fermentação a frio (de 6 a 12ºC). A graduação alcoólica é, geralmente, entre 4 e 5%. Seu tipo mais conhecido é a Pilsener. Alguns tipos de cerveja da família Lager: Pilsen, Amber Lager, Oktoberfest, Rauchbier, Schwarzbier, Vienna, Bock.

Cerveja Lambic: Classificada pelos especialistas como um terceiro tipo de cerveja, separado das Ale e Lager por causa da sua fermentação, que é espontânea. É o tipo de cerveja mais antigo do mundo e é conhecida por ser muito peculiar, por possuir uma extensa gama de aromas, que vão do frutado, como framboesa, cereja ou banana, ao cítrico, como vinho branco ou vinagre.

Por fim, fica a dica pra quem, assim como eu, se amarra numa cerveja, e que por isso mesmo busca os mais diversos tipos e sabores existentes nesse mundão afora. Aliás, nem é preciso sair do Brasil para apreciar algumas das cervejas artesanais mais saborosas do mundo. Curitiba te espera de braços abertos. E de tulipas e pints cheios também.