Você pode até tentar, mas dificilmente encontrará uma bebida tão amaldiçoada quanto essa. Tão desgostosa a ponto de ser considerada por muitos como “o pior dos coquetéis do mundo”. De fato, essa não é uma das minhas combinações favoritas (opinião de um humilde amante de bebidas) mas nem por isso nós podiamos deixar de prestar um tributo à mistura mais popular nos botecos “pé-sujo” brasileiros: o Rabo de galo.

man with a very big cock Cocktail: a arte de se pegar o galo...pelo rabo!

E afirmo categoricamente: ela é sim a bebida mais popular do Brasil! Alguns podem descordar dessa afirmação, alegando que a caipirinha seria o mais popular dos drinks canarinhos. Pode até ser, mas lá fora. Não que ela não seja tradicional no Brasil, longe disso, mas com certeza o clamor popular do rabo de galo é maior, talvez pela praticidade ou até mesmo pelo baixo preço. Outros podem afirmar que a cachaça pura seria o símbolo do bebedor brasileiro, mas dai não seria coquetel. Sendo assim, entendo que não haja discussão.

rabodegalo Cocktail: a arte de se pegar o galo...pelo rabo!

O nome rabo de galo é basicamente um pé-da-letra do que seria o conceito de coquetel (Cock=galo + Tail=rabo) no nosso país. Talvez por isso o drink varie em sua forma de preparo de um lugar pro outro. Sua composição tradicional seria um meio-a-meio de cachaça (de péssima qualidade) com vermute tinto seco (de qualidade pior ainda), mas como já foi dito, a receita varia de região pra região. No Nordeste por exemplo, usa-se conhaque no lugar da cachaça. Em São Paulo, o cynar (drink a base de alcachofra) comumente substitui o vermute, mas isso não é regra. Enfim, é tudo rabo de galo (ou cocktail, se preferir).

Injustiça com o pobre coitado do galo?

Posso até não gostar, mas vou defender: o nosso galinho é muito injustiçado. Por que na maioria dos botecos não se usa ingredientes de boa qualidade? afinal de contas qual bebida ficaria boa com matéria-prima ruim? e por que ele deve ser servido obrigatoriamente na dose meio-a-meio? seria para mascarar o péssimo sabor da pinga utilizada? são muitas as perguntas sem resposta.

Fato é que um preparo mais bem elaborado e com ingredientes de qualidade são essênciais para drinks de primeira. Alguns botequeiros profissionais defendem a tese de que o melhor jeito de se preparar o coquetel seria 2/3 de cachaça com um 1/3 de vermute. Se funciona? ainda não experimentei, mas fica a dica.

Por fim, a receita:

Como já é de praxe, depois de toda enrolação que apresento aqui vou logo para a parte interessante do assunto: a receita. E optei por não burlar o tradicional. Só opte por utilizar uma cachaça e um vermute que prestem né, manolo. Segue a receita:

INGREDIENTES:

  • 1 dose de pinga
  • 1 dose de vermute seco

MODO DE PREPARO:

Num copo pequeno, despeje a pinga, por cima, o vermute. Beba imediatamente, em uma golada só (e não faça cara feia).

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OBS: Alguns bebedores mais “sofisticados” preparam o rabo de galo com gelo, usando uma coqueteleira, no melhor estilo  “dry martini” para depois coar no copo. É mais uma boa opção pros bebedores menos hardcore. Bom drink a todos.

 

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