Tenho plena convicção que você, bebedor assumido, já ouviu alguma “lenda etílica”. Conselhos do tipo “nunca tome cerveja antes de destilados”, crendices estilo “quanto mais bolhas no copo, mais bêbado você ficará” ou “diferentes tipos de cachaça geram diferentes tipos de bêbado”. Tais mitos geralmente são disseminados por pessoas que não curtem muito um goró ou que, no mínimo, não aparentam conhecer muito sobre o assunto.

Mas será que todas as conversas sobre o álcool e seus supostos efeitos (para o bem ou para o mal) no organismo são realmente balela? De fato, nenhuma história sequer tem alguma base científica comprovada? Pois bem, é justamente essa a intenção desse post: investigar a fundo as mais famosas “lendas etílicas”.

Mito ou realidade, informação de procedência duvidosa ou de comprovação científica…a verdade é que busquei o máximo de fatos curiosos possíveis para tentar desmascarar ou comprovar diversas conversas que giram em torno do mesmo (encantador) assunto: o álcool. Prontos para saber algumas verdades?

lenda01 As mais famosas lendas etílicas

Mito ou realidade? REALIDADE.

Confesso que sempre achei essa afirmação uma das maiores besteiras sobre o álcool que já tinha ouvido, mas após uma série de pesquisas mudei completamente de opinião.

Para visualizar melhor o assunto vamos fazer uma comparação: Pense que está dirigindo um carro potente, numa velocidade baixa, constante. Então, repentinamente, você resolve pisar fundo no acelerador, esquecendo do quão veloz e potente é o carro que dirige. A mudança de aceleração do seu carro ocorre de maneira rápida, e sem que você note passou de 20, 30km/h para 110, 120km/h. Pois bem, é desse jeito que seu organismo reage quando se resolve mudar da cerveja para a vodka por exemplo.

A diferença de teor alcoólico de uma cerveja (aproximadamente 4%) e de um destilado (40%) gira em torno de 10 vezes, dependendo da amostra. Portanto, começar bebendo no ritmo da cerveja e subitamente passar a beber no ritmo da vodka, é certeza de porre. Sua boca pode não saber a diferença na concentração do álcool, mas seu corpo saberá.

Pesquisas ainda nos mostram que o álcool em um drinque entra na corrente sanguínea mais rápido do que a quantidade equivalente de álcool se tomado puro. Ou seja, se você estiver enchendo seu estômago com cerveja e então você aumentar a concentração de álcool adicionando um destilado, você está basicamente fazendo um drinque em seu estômago. As consequências são claras: O álcool ficará mais tempo por lá fazendo com que você fique mais bêbado.

Em contrapartida, se você começar com o destilado, a solução no seu estômago vai começar com uma concentração maior de álcool, e irá passar por ele com uma velocidade maior. Você se sentirá mais bêbado, e irá provavelmente estar menos disposto a beber tanta cerveja depois.

Conclusão: Pense bem antes de misturar tudo. A moral, os bons costumes e principalmente sua dignidade, agradecem.

lenda02 As mais famosas lendas etílicas

Mito ou realidade? REALIDADE (em termos)

Em termos, porque existem muitas teorias e pouquíssimo consenso sobre o assunto. Alguns acreditam que o CO2 carrega as moléculas de álcool na corrente sanguínea mais rapidamente, mas isso muito provavelmente é besteira.

O que é mais provável é que o gás causa distensão no seu estômago (e é por isso que você se sente cheio e com vontade de arrotar). Esta distensão aumenta a taxa do que o estudo chama de “esvaziamento gástrico”, um efeito que acelera o movimento do álcool do estômago para o intestino delgado, onde o álcool é consumido mais rapidamente. Assim, a bebida entra na corrente sanguínea com mais velocidade.

Conclusão: Sei lá…eu é que não vou ficar contando o número de bolhas que tem no meu copo.

lenda03 As mais famosas lendas etílicas

Mito ou realidade? MITO.

Você já deve ter ouvido alguém comentar que “vodka me dá amnesia” ou que “o vinho me faz rir a toa”. Muitas vezes você já deve ter comparado os efeitos dessas bebidas nas pessoas a si mesmo, e por fim chegou à conclusão de que nada daquilo acontecia contigo. Pois é, você estava certo.

O grande motivo para essas associações meio sem-sentido é a chamada “memória sensorial”. Situações específicas, com bebidas específicas, que nos levam a um sentimento nostálgico sempre que as bebemos. Uma situação engraçada vivida por uma pessoa que se embreagou com vinho, é um excelente motivo para fazer com que a mesma associe o vinho aos risos. Uma situação desagradável, em que o bebedor sofreu algum trauma decorrente do alto consumo de vodka pode ser o motivo de tal comparação.

Conclusão: Eu até tinha chegado a uma…mas Vodka com aspirina me faz esquecer das coisas.

lenda04 As mais famosas lendas etílicas

Mito ou realidade? MITO

Essa é uma questão óbvia. Não existe absolutamente nada que comprove que misturar duas ou mais bebidas destiladas diferentes fará você ficar mais bêbado. É mais ou menos uma propriedade matemática: a ordem dos fatores não altera o produto.

O produto em questão é um belo porre. Misturar destilados, sejam eles quais forem, com certeza fará você ficar mais bêbado, mas isso não quer dizer necessariamente que foi a mistura de A com B que destruiu o seu organismo. Afinal, estamos falando de concentrações alcoólicas acima de 40%, o suficiente pra “calibrar” muita gente por aí.

Conclusão: Você até pode misturar destilados mas que, pelo menos, sejam de boa qualidade. O seu fígado agradece.

lenda05 As mais famosas lendas etílicas

Mito ou realidade? REALIDADE

“In vino veritas”, traduzindo do latim “no vinho, a verdade”. Talvez uma das lendas mais antigas sobre o álcool já constatadas, atribuida a Plínio, o ancião, que nasceu em 23 D.C. Acreditava-se basicamente que era muito mais difícil mentir quando se estava bêbado, e que a verdade iria sair (Etílicos.com também é cultura!).

Não é preciso ser um gênio ou um pesquisador renomado pra saber que o álcool deixa as pessoas mais relaxadas, desinibidas e propícias a fazerem coisas que, sóbrios, não teriam coragem de fazer. E é justamente por isso que, as vezes, o sujeito se revela.

Conta segredos íntimos, fala da vida alheia, chora, se declara (true story), enxerga todas as mulheres a sua volta com uma beleza descomunal (true story 2) e, por fim, acaba fazendo um monte de besteira que rendem histórias hilárias pra ser sacaneado por todos os seus amigos durante gerações (true story 3).

Cientificamente falando, o álcool afeta todo o seu cérebro, incluindo o hipocampo, que é a parte que está muito associada com a memória (por isso os episódios de blackout). Talvez o vinho, mais especificamente, seja um facilitador da “embreaguez verídica” por ser uma das bebidas favoritas das mulheres. O clima romântico e o sabor agradável do vinho faz com que as garotas se sintam mais a vontade, liberais, e acabem falando demais. Óbviamente isso não é uma tese confirmada, é só uma observação casual (e um pouco machista, confesso).

Conclusão: Beba moderadamente e ria das histórias dos outros. Beba pra cair e vire o motivo da risada.

Se o amigo(a) leitor lembra de mais alguma lenda etílica, favor compartilhar em nossos comentários. Por enquanto ficamos por aqui, mas quem sabe não rola uma segunda sessão sobre o assunto, ou uma terceira, quarta…o universo do álcool é amplo, e cheio de boas histórias a serem desvendadas.

Chupa, Sherlock!


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