Basicamente, a proposta que a equipe ETÍLICOS leva a público é a de entreter todos os amantes, simpatizantes, degustadores, bebedores profissionais, bebedores de fim-de-semana enfim, todas aquelas pessoas que se interessem pelo tema, apresentando curiosidades, novidades, receitas e até mesmo uma área totalmente dedicada a saúde. Desta maneira, é nossa obrigação com você leitor, expor assuntos as vezes não muito agradáveis, mas que fazem parte da nossa sociedade, e nada mais oportuno do que abordar o alcoolismo na sua fase mais perigosa, na fase em que a personalidade do futuro adulto está se formando, onde os hormônios estão em polvorosa, ou seja, vamos conversar sobre alcoolismo na adolescência.

Definitivamente, a adolescência é a fase mais frágil da vida do ser humano, onde a personalidade, os trejeitos, as opiniões, os modos, os costumes serão formados e definirão a pessoa que será inclusa na sociedade, e consequentemente sua aceitação ou não pela mesma. É muito comum nessa fase da vida o jovem ser apresentado ao álcool por amigos e afins, e enxergar no mesmo um modo de ser mais desinibido, aumentar seu ciclo de amizades, paquerar  e até mesmo se libertar de problemas oriundos de seu âmbito familiar.

Levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), em novembro de 2006, revelou um aumento no número de alcoolistas de 11,2% em 2001 para 12,3% em 2006. 48,3% dos adolescentes entrevistados na faixa etária dos 12 aos 17 anos já beberam alguma vez na vida (52,2% homens), onde desses, 14,8% bebem regularmente, e 6,7% são dependentes. Tais dados são extremamente preocupantes, e deixam médicos, psicólogos e demais profissionais da área de saúde em constante discussão sobre as causas de tamanha crescente de adolescentes alcoolistas.

Relevando-se todos os motivos já citados sobre as possíveis causas do alcoolismo na  adolescência (se tornar mais desinibido, aumento do ciclo de amizades e etc.), uma das grandes causas constatadas é a influência familiar. Psicólogos constataram que a criança, desde muito cedo, ao observar o comportamento dos pais ao beberem, já define que beber é algo prazeroso e com isso quer repetir tal ato. O mesmo raciocínio é valido na situação contrária. Se a criança é vítima de violência doméstica ocasionada por algum parente alcoolista, ela acaba criando uma rejeição natural ao álcool. É óbvio que tais situações não são regras, são apenas um levantamento do que ocorre na maioria dos casos.

Portanto pais, é necessário ficarem atentos a possíveis indícios de alcoolismo nos seus filhos. Beber todos os dias (independente da quantidade), complexo de perseguição, não largar o copo em festas, são alguns dos indícios de que seu filho pode sofrer de algum transtorno alcoólico. Contudo, quando diagnosticado o jovem alcoolista, é de extrema importância que a família demonstre total apoio ao adolescente, buscando ajuda em grupos de terapia como o AA (alcoólicos anônimos), psicólogos ou outros profissionais habilitados.

A sociedade também tem culpa no problema dos jovens alcoolistas brasileiros. Mesmo sendo uma lei (lei n° 9294, de 15 de julho de 1996) a proibição da venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, a sociedade toma atitudes paradoxais sobre o tema. Por mais que condene o abuso de álcool pelos jovens, ela aceita passivamente essa exploração da imagem do jovem bebendo na mídia, em dezenas de propagandas de bebidas. Felizmente, hoje em dia algumas companhias de bebidas como a “AmBev”, prezam pelo consumo consciente do álcool, divulgando em suas propagandas, nos mais diversos meios de comunicação que o ato de beber deve ser sempre feito com moderação.

O problema do alcoolismo no Brasil é grave, e deve ser tratado como um problema de saúde pública. O poder destrutivo do álcool no organismo já é mais do que conhecido, contudo, os problemas psicológicos e não menos destrutivos que o álcool leva para o seio familiar do alcoolista são muitas vezes maiores que os fisiológicos. A educação começa em casa, e a adolescência é a etapa que os pais devem ficar mais atentos às atitudes de seus filhos. Prestem atenção nas amizades de seus filhos, nos seus modos, nas suas atitudes com as outras pessoas, sempre respeitando a privacidade do jovem na medida do possível. Ser adolescente não é fácil, ser pai de adolescente menos ainda. Lembrem-se sempre pais: a conversa, o companheirismo e principalmente o amor, continuam sendo a melhor maneira de proteger seus filhos dos males do mundo.

COMENTÁRIOS